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Escrito por Projeto Vivência Indígena   

Thini-á Fulni-ô durante uma apresentaçãoNo mundo contemporâneo observa-se, cada vez mais, que os "nativos", ou as "minorias" em um sentido mais geral, já não necessitam de intérpretes ou intermediários para expressar seus anseios, demandas e denúncias. Em um mundo globalizado, no qual os meios de comunicação vêm facilitando e agilizando a propagação de todo tipo de informação, os povos indígenas têm a oportunidade de se fazer ouvir, de levar a outros sua mensagem, sua própria voz.
A mensagem aqui trazida na voz de um Fulni-ô vem sendo transmitida, desde 1992, com o intuito de despertar os estudantes para a temática indígena e para o entendimento de aspectos fundamentais da cultura e modo de vida de diferentes povos indígenas, com a simplicidade que o tema permite. Por meio de palestras e performances voltadas para o público infantil e juvenil - atuando tanto em escolas de primeiro e segundo graus e universidades públicas e privadas, quanto em espaços culturais e empresas, o trabalho divulga, a partir de um olhar interno, as riquezas e mazelas da cultura Fulni-ô e de outros povos vizinhos. Uma atenção especial tem sido dada por estes à questão ambiental, aos problemas relacionados aos desmatamentos, poluição  e  outros  males  que  afetam  tão  profundamente  a humanidade.

Veiculadas através de “esquetes” quadros cênicos e debates sobre as situações e dramas dos povos indígenas no Brasil, as mensagens trazem lições de tolerância e respeito às diferenças sociais, culturais, estéticas e religiosas, fornecendo, ao mesmo tempo, informações gerais e particulares sobre a situação de alguns desses povos. Cria-se assim a possibilidade de “relativizar” o olhar dos participantes quanto à questão da diferença entre os povos, fazendo com que estes passem a ser entendidos em relação à própria lógica e especificidade de seus universos socioculturais, ou seja, em seus próprios termos.
Dessa forma, o presente projeto pode auxiliar não-indígenas a desenvolver uma sensibilidade que é vantajosa no exercício do diálogo com as minorias nativas espalhadas por todo o globo, além de plantar no coração do homem de amanhã, como faz o povo Fulni-ô com seus jovens e crianças, uma melhor postura social, podendo assim contribuir para a formação de líderes e governantes mais cônscios e solidários.

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