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Conforme os costumes da etnia Fulni-ô, no momento do nascimento, a mãe índia dá nome à criança segundo os acontecimentos à sua volta. Uma certa noite, nasceu um indiozinho, e sua mãe, Thassi, olhou para o céu e viu que as estrelas eram muitas e, por isso, chamou-o de Thini-á, que significa “estrela”. Thini-á nasceu às margens do Rio Ipanema, um afluente do Rio São Francisco, nas terras dos Fulni-ô, Estado de Pernambuco. Fulni-ô significa “a gente que mora junto ao rio”. São falantes da língua Yathê, tronco macro-Gê. Desde pequeno foi um índio muito irrequieto e resistente às descaracterizações culturais e invasões que sua tribo sofreu. Por isso, com o intuito de ajudar o seu povo, deslocou-se para Garanhuns (em Pernambuco), para aprender a língua portuguesa e estudar. Depois de terminar o primeiro grau, voltou para a nação Fulni-ô. Com os conhecimentos que o estudo lhe proporcionou, foi para Brasília acompanhar de perto as ações da FUNAI e do Ministério da Justiça em relação à política de demarcações de terras. Desejoso de mais conhecimento para melhor ajudar seu povo, retomou os estudos, completando o segundo grau. Interessado, surpreso e irritado com as distorções dos meios de comunicação a respeito da problemática indígena, foi para São Paulo, com o apoio do então Ministro da Justiça, Jarbas Passarinho, para estudar na USP, no curso de Cinema, Rádio e Televisão da ECA (Escola de Comunicações e Artes), a fim de absorver as técnicas e produzir documentários sobre a realidade indígena brasileira. Estabeleceu muitos contatos ao longo de seu trabalho, se envolvendo com grupos de antropólogos, historiadores, educadores e outros que o incentivaram a divulgar as tradições e lutas indígenas de seu povo e de outros povos indígenas do país, que como os Fulni-ô, enfrentam o avanço da sociedade.
Os Fulni-ô, como muitos outros povos indígenas do Nordeste brasileiro, sofreram as transformações que são características de quem tem um longo tempo de contato com a sociedade envolvente (“branca”). Mesmo assim conseguiram, apesar deste contato imposto, preservar sua sabedoria ancestral. Até porque não existe, nem jamais existiu, povo nativo no mundo que tenha vivido em absoluto isolamento cultural. Contudo, a opinião pública ainda está acostumada a operar com uma imagem de índio idealizada: este índio brasileiro ideal é sempre forte, alto, quase sem pêlos e vivendo em “estado natural” na selva, que é sua origem e seu destino. Thini-á, incorpora a imagem do índio na cidade, funcionando como um mensageiro entre os anseios e curiosidades do seu povo (que também quer saber um pouco mais sobre a cultura do “branco”) e a necessidade de informação do povo da cidade sobre a sabedoria dos povos nativos em nosso planeta Terra. Leia também:
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